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Shopee com Terry Crews, Coca-Cola com creators no México e Conar regula apostas: as campanhas que marcaram a última semana de agosto de 2026

Matheus Brandão
Criado em:
28 Aug 2026
Atualizado em:
28 Aug 2026

A última semana de agosto de 2026 foi marcada por movimentos de peso no marketing brasileiro e global. De um lado, gigantes do varejo e do entretenimento como Shopee e Coca-Cola apostaram em grandes nomes e experiências imersivas para gerar engajamento. De outro, o Conar deu um passo importante na regulação da publicidade de apostas, enquanto Meta e Ballantines fecharam a semana com acordos e ativações que repercutiram nos tribunais e nas ruas. Reunimos as seis campanhas que definiram os dias entre 24 e 30 de agosto.

Shopee traz Terry Crews ao Brasil para o 9.9

Terry Crews em campanha publicitária da Shopee para o 9.9
Terry Crews foi a aposta da Shopee para o maior evento de vendas do ano no Brasil

A Shopee anunciou a vinda do ator e ex-jogador da NFL Terry Crews ao Brasil como estrela da campanha do 9.9 , o maior evento de compras da plataforma no Sudeste Asiático e que vem ganhando cada vez mais força no mercado brasileiro. Conhecido por seu papel em Brooklyn Nine-Nine , por sua participação em Os Mercenários e por sua personalidade enérgica nas redes sociais, Crews protagonizou uma série de conteúdos para redes sociais, TV aberta e plataformas digitais.

A estratégia da Shopee combinou entretenimento e performance de uma forma que poucas marcas de e-commerce conseguem executar no Brasil. Além dos filmes publicitários gravados em São Paulo, a campanha incluiu um sorteio especial com prêmios em dinheiro e frete grátis em milhares de itens durante os dias do evento. A escolha de Terry Crews não foi aleatória : o ator tem enorme apelo entre o público jovem e familiar, exatamente o perfil que a plataforma quer consolidar no Brasil, onde enfrenta concorrência direta de grandes players do varejo digital.

A ação reforça como as marcas de e-commerce estão cada vez mais usando celebridades internacionais para gerar buzz e diferenciar suas promoções em um mercado cada vez mais competitivo. Nos últimos meses, nomes como Messi e outras personalidades globais têm sido usados em campanhas locais, indicando que o investimento em influenciadores de alcance mundial é uma tendência consolidada no marketing digital brasileiro. Para a Shopee, que disputa a preferência dos consumidores em um segmento dominado por gigantes nacionais e internacionais, contar com um nome como Terry Crews representa uma aposta calculada em visibilidade e associação positiva. A plataforma investe pesado em social media para construir uma relação próxima com o público brasileiro, combinando ações digitais com eventos presenciais.

  • Terry Crews protagoniza campanha para o 9.9 da Shopee no Brasil
  • Ação inclui filmes para TV, redes sociais e plataformas digitais
  • Sorteio especial e frete grátis em milhares de itens durante o evento
  • Estratégia reforça presença da marca no competitivo mercado de e-commerce brasileiro

Coca-Cola leva creators ao México para lançamento global

A Coca-Cola realizou um dos movimentos de marketing de influência mais ambiciosos do ano ao levar um grupo seleto de criadores de conteúdo brasileiros ao México para o lançamento global de um novo produto. A ação, que aconteceu na Cidade do México, reuniu influenciadores de diferentes segmentos , como lifestyle, gastronomia, viagem e entretenimento em uma experiência imersiva de três dias. Os criadores tiveram acesso aos bastidores da marca, participaram de workshops de criação com especialistas locais e registraram ativações exclusivas em pontos turísticos estratégicos da capital mexicana.

A estratégia faz parte de uma tendência crescente entre grandes marcas globais: trocar o posting avulso e puramente transacional por parcerias de longo prazo com creators, oferecendo experiências que geram conteúdo orgânico e autêntico. Ao invés de um simples brifing remoto ou de um kit de produtos enviado por correio, a Coca-Cola optou por imersão presencial algo que, depois da pandemia, voltou com força como diferencial competitivo nas relações entre marcas e influenciadores. O growth marketing baseado em influência é cada vez mais uma aposta de grandes anunciantes globais.

Para os creators brasileiros, a viagem ao México representou uma oportunidade de networking e exposição internacional. Os conteúdos gerados durante a experiência : vídeos no YouTube Shorts, posts no Instagram, TikTok e Reels; não seguiram um roteiro fechado: cada influenciador teve liberdade criativa para mostrar o produto à sua maneira, respeitando apenas as diretrizes gerais da marca. Essa abordagem menos controladora tende a gerar maior engajamento, já que o público percebe autenticidade na recomendação.

"O México é um mercado estratégico para a Coca-Cola e trazer creators brasileiros para vivenciar o lançamento aqui fortalece a narrativa de que estamos construindo algo global juntos. A ideia é que cada um conte a própria história com o produto, não que todos repitam o mesmo discurso", explicou fonte próxima à campanha.

A escolha do México também carrega simbolismo: o país é um dos mercados mais relevantes para a Coca-Cola na América Latina, e a proximidade cultural com o Brasil facilitou a conexão entre os criadores e a proposta do novo produto. Para o mercado publicitário brasileiro, a ação serve como case de como marcas globais podem usar a influência digital para construir pontes entre diferentes territórios de forma economicamente eficiente e emocionalmente impactante. A Coca-Cola demonstra mais uma vez que entende o poder do marketing de experiência como ferramenta de construção de marca de longo prazo.

Grupo de creators brasileiros viajou para CDMX para lançamento global; Experiência imersiva de três dias com bastidores e workshops; Estratégia aposta em parcerias de longo prazo com influenciadores; Liberdade criativa foi o diferencial para gerar conteúdo autêntico; México é mercado estratégico da Coca-Cola na América Latina

Conar aprova novas regras para publicidade de apostas

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) aprovou um novo conjunto de regras para a publicidade de apostas esportivas e jogos online no Brasil. A decisão, anunciada na última semana de agosto de 2026, atualiza o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária com diretrizes específicas para um setor que explodiu nos últimos dois anos após a regulamentação das bets no país e que já movimenta dezenas de bilhões de reais anualmente.

As novas regras proíbem, entre outros pontos, o uso de linguagem que incentive o endividamento, a associação direta entre aposta e sucesso financeiro, e a participação de menores de idade nas peças publicitárias. Além disso, estabelecem que toda comunicação do setor deve conter alertas visuais e sonoros sobre os riscos do jogo, mensagens de jogo responsável e links para canais de apoio a pessoas com dependência. O descumprimento pode gerar advertências, multas e até a suspensão da veiculação.

A decisão do Conar chega em meio a uma crescente pressão do Ministério da Fazenda, de órgãos de defesa do consumidor e de entidades de saúde pública, que alertam para o aumento da ludopatia entre jovens brasileiros. Embora a autorregulamentação não tenha força de lei, o Conar tem histórico de alta adesão entre as agências e veículos de comunicação, o que torna as novas diretrizes um marco regulatório de facto para o setor. Para quem atua com marketing digital , o movimento do Conar acende um alerta sobre a necessidade de compliance em campanhas de setores regulados.

A autorregulamentação chega em boa hora: o setor de apostas movimenta bilhões de reais no Brasil e a publicidade agressiva vinha sendo alvo de críticas de associações de defesa do consumidor, que apontavam um crescimento descontrolado de anúncios com promessas de enriquecimento fácil. A expectativa é que as novas regras sirvam de modelo para outros países da América Latina que ainda debatem como equilibrar a liberdade comercial com a proteção do consumidor.

Para as agências e marcas do segmento, as novas regras representam um desafio criativo significativo: como comunicar em um mercado bilionário sem recorrer aos gatilhos tradicionais de urgência e promessa de ganho fácil? A resposta deve passar por campanhas mais institucionais, com foco na experiência do jogo responsável e no entretenimento, e menos na sugestão de enriquecimento rápido. Marcas de apostas que investirem em narrativas de responsabilidade social podem sair na frente, construindo uma imagem mais sólida em um setor que será cada vez mais escrutinado.

Novas regras proíbem associação entre aposta e sucesso financeiro; Menores de idade não podem aparecer em peças publicitárias do setor; Toda comunicação deve conter alertas visuais e links de apoio; Conar tem histórico de alta adesão entre agências e veículos; Setor movimenta bilhões e vinha sendo alvo de críticas da sociedade civil

Cinemark e Latam celebram 25 anos de Harry Potter

Duas marcas brasileiras uniram forças para celebrar os 25 anos da estreia do primeiro filme da saga Harry Potter no Brasil. A Cinemark, uma das maiores redes de cinema do país, e a Latam Airlines, maior grupo de aviação da América Latina, lançaram uma parceria inédita que combina experiências dentro e fora das telas: salas decoradas com a temática do mundo bruxo e voos selecionados com exibição dos filmes durante o trajeto. A iniciativa é uma excelente demonstração de como marcas de segmentos diferentes podem colaborar para criar experiências de marketing memoráveis.

A ação é um exemplo clássico e bem executado de co-branding entre marcas que, à primeira vista, não têm relação direta, mas compartilham o mesmo público-alvo , consumidores de entretenimento, experiência e nostalgia. A saga Harry Potter, que completa 25 anos da estreia do primeiro filme no Brasil, segue sendo um dos maiores fenômenos culturais do planeta, com fãs que vão de adolescentes a adultos na faixa dos 30 e 40 anos , exatamente a audiência que ambas as marcas desejam alcançar.

Marca: Cinemark

Ação: Salas decoradas e maratona dos 8 filmes

Período: Agosto a setembro de 2026

Diferencial: Ingressos com preço promocional e combo exclusivo de pipoca temática


Marca: Latam

Ação: Voos selecionados com exibição dos filmes

Período: Setembro de 2026

Diferencial: Decoração temática nas aeronaves e brindes exclusivos aos passageiros


Para a Latam, a ação aquece a procura por voos em um mês tradicionalmente mais fraco , setembro, enquanto a Cinemark reforça sua posição como destino de entretenimento além da experiência tradicional de cinema. A parceria também inclui ativações digitais, com conteúdos exclusivos nas redes sociais de ambas as marcas e um filtro de realidade aumentada para o público compartilhar sua experiência nas redes. O resultado é uma campanha omnichannel que gera engajamento em múltiplos pontos de contato, do aeroporto à sala de cinema, passando pelo feed do Instagram e do TikTok.

Ballantines realiza show surpresa com Vintage Culture

A Ballantines, marca de whisky do grupo Pernod Ricard, realizou um show surpresa com o DJ e produtor Vintage Culture em São Paulo como parte de sua estratégia de aproximação com o público jovem. O evento, não anunciado previamente, foi divulgado apenas 24 horas antes por meio das redes sociais da marca e do artista, criando um buzz orgânico que lotou o espaço em poucas horas e gerou fila de espera de mais de mil pessoas. A tática é um estudo de caso interessante sobre marketing de experiência e engajamento em redes sociais .

A tática do show surpresa não é nova na indústria musical e de bebidas, mas ganha contornos estratégicos ainda mais relevantes quando usada por marcas de bebidas alcoólicas, que enfrentam restrições crescentes de comunicação e não podem usar grande parte dos canais digitais tradicionais para promoção direta. Ao fugir da mídia paga e apostar no marketing de experiência e na exclusividade, a Ballantines contorna a saturação de anúncios e gera conteúdo espontâneo de altíssimo valor: cada pessoa que foi ao show postou nos stories, no TikTok e no Instagram, amplificando a ação sem custo de mídia adicional.

Vintage Culture, um dos artistas brasileiros mais ouvidos do mundo nas plataformas de streaming com mais de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify, tem se tornado presença constante em ativações de marca de grandes empresas. Sua música de estilo house progressivo atrai exatamente o público que marcas de bebidas premium querem atingir: jovens adultos urbanos, com poder de consumo e presença digital ativa. A parceria com a Ballantines reforça uma verdade do marketing contemporâneo: o entretenimento ao vivo é um dos canais mais eficazes para gerar conexão genuína com o consumidor, especialmente quando combinado com o elemento surpresa e a exclusividade do acesso.

Com o show surpresa de Vintage Culture, a Ballantines demonstrou que, em um mundo dominado por anúncios programáticos e segmentação algorítmica, a experiência presencial e o boca a boca digital seguem sendo armas poderosas de construção de marca. A estratégia prova que nem toda grande campanha precisa de grandes investimentos em mídia paga.

Meta fecha acordo bilionário em processo sobre vício em redes sociais

A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, fechou um acordo de US$ 16,7 bilhões para encerrar um processo que acusava a empresa de projetar intencionalmente suas plataformas para viciar crianças e adolescentes. O valor, um dos maiores já pagos em uma ação coletiva desse tipo na história, foi anunciado na última semana de agosto de 2026 e deve impactar não apenas o balanço da empresa de Mark Zuckerberg, mas também a forma como as redes sociais são percebidas por reguladores, investidores e anunciantes em todo o mundo. O caso tem implicações profundas para quem trabalha com marketing digital e estratégias de aquisição de tráfego.

O processo, movido por procuradores de mais de 40 estados americanos, alegava que a Meta violou leis de proteção ao consumidor e privacidade ao priorizar o tempo de tela sobre a saúde mental dos usuários mais jovens. Entre as evidências apresentadas estavam documentos internos que, segundo a acusação, mostravam que a empresa tinha pleno conhecimento dos riscos à saúde mental de adolescentes e, ainda assim, optou por não implementar mudanças que reduzissem o engajamento e, consequentemente, a receita publicitária. Esse tipo de ação reforça a importância do uso ético dos dados e da publicidade responsável .

O acordo bilionário prevê, além do pagamento, mudanças estruturais significativas: configurações de privacidade mais restritivas para menores de 18 anos, maior transparência nos algoritmos de recomendação, auditoria independente de práticas de segurança infantil e a criação de um fundo para pesquisa em saúde digital. Embora a Meta não tenha admitido culpa formalmente, o valor do acordo e as concessões feitas indicam que a empresa reconhece a gravidade das acusações.

Para o mercado de marketing digital, o caso acende um alerta importante: a pressão regulatória sobre o modelo de negócios baseado em atenção extrema deve se intensificar nos próximos anos. Marcas que dependem de anúncios em redes sociais para alcançar seus públicos , especialmente os mais jovens, precisam acompanhar de perto as mudanças nas plataformas para ajustar suas estratégias e não serem pegas de surpresa por novas restrições. A diversificação de canais de aquisição nunca foi tão urgente.

O acordo também reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas na proteção de menores. Para anunciantes que investem bilhões em mídia social, o recado é claro: o ambiente regulatório está mudando, e campanhas que antes passavam despercebidas podem se tornar alvo de questionamentos legais e reputacionais. Marcas que anteciparem essas mudanças — investindo em mídia responsável e diversificando seus canais de aquisição — estarão melhor posicionadas para o futuro do marketing digital. A era do "crescer a qualquer custo" nas redes sociais pode estar com os dias contados.

  • Acordo de US$ 16,7 bilhões é um dos maiores já pagos em ação coletiva nos EUA
  • Processo alegava que plataformas foram projetadas para viciar menores de idade
  • Acordo prevê mudanças em configurações de privacidade e auditoria independente
  • Meta não admitiu culpa, mas concessões indicam reconhecimento da gravidade
  • Caso acende alerta sobre pressão regulatória no marketing digital global

A última semana de agosto de 2026 mostrou que o marketing está cada vez mais hibridizado com entretenimento, regulação e responsabilidade social. Marcas que souberem navegar por esse novo ecossistema — equilibrando criatividade, compliance e propósito — sairão na frente. Quem ignorar os sinais, por outro lado, pode descobrir que o custo de não se adaptar é muito mais alto do que qualquer investimento em inovação. Para acompanhar as tendências do mercado, invista em estratégias de marketing digital que combinem análise de dados com criatividade e responsabilidade.

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Matheus Brandão
Editor de vídeo

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